Revestimento de Argamassa

Fachadas

A execução do revestimento de argamassa em fachadas de edifícios segue uma sequência de atividades que se repete a cada obra, às vezes com algumas alterações conforme o sistema de trabalho da construtora. Antes do início efetivo dos serviços, entretanto, algumas recomendações podem ser feitas, como por exemplo:

• alvenarias concluídas há pelo menos 30 dias e fixadas internamente há pelo menos 15 dias.
• estrutura concluída há pelo menos 120 dias, à exceção dos 3 últimos pavimentos, onde se admitem 60 dias.
• contra-marcos e batentes (se for o caso) devem estar chumbados ou os referenciais de vãos devem estar definidos.
• quaisquer dutos e/ou instalações que passem pelas alvenarias devem estar concluídos e fixados.
• é recomendável que contrapisos e revestimentos verticais internos também estejam concluídos.

Alguns outros itens relativos à qualidade também podem ser destacados:
• a fachada deve estar protegida por tela, caso necessário.
• todos os equipamentos individuais e coletivos de proteção devem estar instalados e disponíveis.
• o projeto de produção deve estar disponível.
• estrutura, alvenaria e esquadrias devem estar formalmente liberadas por parte do controle de produção.
• o fornecimento de argamassa deve estar inteiramente equacionado, seja ela produzida em obra ou industrializada.
• os balancins devem estar montados, mapeados e liberados para uso.
• as equipes de trabalhos devem estar definidas e treinadas.

 

1. Preparo da base – 1ª subida do balancim

O preparo da base tem por objetivo eliminar os elementos que venham a prejudicar a aderência da argamassa, tais como: pó, fuligem, graxas, óleos, desmoldantes, fungos, musgos e eflorescências. As técnicas recomendadas variam de acordo a extensão da sujeira. Podem ser adotados, na sequência e pelo grau de complexidade e custo, os seguintes procedimentos:
• escovação com vassoura de piaçava.
• escovação com escova de fios de aço (fotos).

Escovas de aço acopladas em lixadeira para limpeza do concreto


• escovação seguida de lavagem com mangueira.
• lavagem com mangueira pressurizada (com ou sem o acréscimo de detergentes ou desengordurantes).
• jateamento de areia.
• Apicoamento.

Apicoamento do concreto


Além disso, devem ser removidos os restos de concreto e outras incrustações em pés de pilares e pedaços de madeira provenientes de gastalhos ou outras partes da fôrma. Ferros provenientes de ganchos dos eixos ou suporte das bandejas devem ser cortados de forma que fiquem protegidos por uma camada de menos 25 mm de argamassa. É bastante prudente, também, proteger as superfícies cortadas com tintas especiais anticorrosivas e que resistam ao PH elevado da argamassa.

Preparação da base para 1ª subida do balancim

 

Falhas de concretagem ou “bicheiras” devem ser preenchidas de acordo com o caso, ou seja, com o uso de argamassa comum, argamassa estrutural ou mesmo grauteamento. A decisão está baseada na extensão do problema e no elemento estrutural atingido e sua importância. Por fim, a alvenaria deve ser fixada nos fundos de viga de periferia.

 

2. Locação e descida dos arames, mapeamento e reprojeto

Esta etapa nem sempre é executada, embora seja bastante recomendável. Consiste em afixar arames no topo da edificação afastados em torno de 10 cm da fachada, de modo que seja possível, durante a primeira subida do balancim, anotar os desvios de vigas, pilares e alvenarias em vários locais.



Tais valores são planilhados e analisados pela engenharia, que pode então definir as espessuras finais dos panos de argamassa, marcar regiões de 1ª cheia bem como regiões que precisam ser apicoadas e regiões que necessitam de reforço com telas metálicas. Além dos aspectos técnicos mencionados, é possível ter um controle razoavelmente preciso do consumo de material.

Esta atividade, conhecida como reprojeto, é uma parte crucial dentro do projeto de revestimento de fachada e os dados de campo são coletados durante a 1ª subida dos balancins, quando a base está nua. Podem, também, ser coletados durante a etapa de chapiscamento.

 

3. Chapisco – 1ª descida dos balancins

Chegando ao topo, os balancins estão prontos para descer para a aplicação do chapisco, cujo tipo foi definido previamente. Antes da execução do chapisco, entretanto, a base deve ser lavada com auxílio de jato de água sob pressão, que tem o objetivo de:

Remover impurezas: após a limpeza da base com lixadeiras e/ou escovas, há uma camada de pó remanescente que precisa ser removida antes da aplicação do chapisco. Além disso, o jato de água deve ter pressão superior a 1800lbf/pol2, de modo que inflija certa agressão sobre a base de concreto.
Resfriar a base: em dias quentes, a superfície (concreto ou alvenaria) pode estar em temperatura elevada e prejudicial à fina “camada” de chapisco, causando falha na hidratação do cimento e perda de resistência mecânica do chapisco. Assim, o jato de água tem por objetivo limpar e resfriar a base, atenuando os efeitos de temperatura.

Uma vez que o chapisco precisa ser absorvido pela base, é importante que ela não esteja encharcada durante a aplicação. De maneira geral, isto é obtido facilmente, uma vez que a lavagem tem início num lado do balancim até o outro extremo e, neste período, já houve a secagem superficial da base, que estará pronta para ser chapiscada.

Então, em caso de chuvas torrenciais, é prudente um período de espera antes da aplicação do chapisco, evitando sua aplicação sobre bases saturadas.
 

Chapisco convencional sobre alvenaria e chapisco industrializado sobre elementos estruturais Chapisco convencional aplicado por projeção sobre alvenaria e estrutura


 

4. Inspeção, taliscamento e 1ª cheia – 2ª subida dos balancins

Tendo sido efetuado o mapeamento, as espessuras dos panos estão definidas. Assim, é possível a aplicação de taliscas, execução de 1ª cheia nos pontos críticos e posicionamento de reforços metálicos, caso existam.

Caso o mapeamento não tenha sido efetuado, os balancins são simplesmente elevados ao topo do edifício e a aplicação do emboço tem início. Neste caso, pontos de grande espessura de argamassa e posicionamento de reforços metálicos serão executados durante a aplicação do emboço, o que dificulta seu controle e prejudica a produtividade. A qualidade técnica do serviço final sofre e geralmente não é feito controle da solução adotada nos pontos críticos.

Inspeção, taliscamento e 1ª cheia – 2ª subida dos balancins

 

5. Aplicação da argamassa e execução de detalhes arquitetônicos – 2ª descida dos balancins

O início do trabalho ocorre com a execução de mestras entre as taliscas, com faixas de argamassa de aproximadamente 15 cm de largura. Caso não existam taliscas, a argamassa é aplicada com base nos arames de fachada.

Os balancins devem ser abastecidos de maneira que o tempo útil de utilização da massa não ultrapasse 3 horas. A aplicação da argamassa sobre a superfície deve ser feita por projeção enérgica do material, seja ela manual ou mecânica, não excedendo 3 cm de espessura.

No caso de espessuras superiores a 3 cm onde não existiu reprojeto e 1ª cheia, o revestimento deve ser executado em etapas.

  • Para espessuras entre 3 cm e 5 cm, a argamassa deve ser aplicada em 2 demãos.
  • Para espessuras entre 5 cm e 8 cm, a argamassa deve ser aplicada em 3 demãos, sendo recomendável o “encasquilhamento” das duas primeiras. Neste caso, deve-se prever ainda o uso de tela metálica para estruturar o revestimento.

Todas estas atividades possuem importância técnica para a qualidade final do revestimento. Assim, é questionável que elas sejam executadas caso não tenha havido reprojeto da fachada, uma vez que o balancim precisará ficar parado em certos locais. Além disso, não havendo reprojeto, é impossível saber onde haverá espessura elevada de argamassa, ficando tal informação sob responsabilidade do pedreiro.

No dia seguinte após a secagem do pano revestido, podem ser aplicados os detalhes arquitetônicos previstos em projeto, como molduras, sancas, apliques etc. Desta forma, após a 2ª descida do balancim, a fachada estará pronta para a aplicação do acabamento final.

Aplicação da argamassa e execução de detalhes arquitetônicos – 2ª descida