Estrutura de Concreto

Fôrmas - práticas

Montagem das fôrmas

Pilares

A execução da montagem das fôrmas e escoramento de pilar pode ser dividida em:
1. Transferência dos eixos coordenados e execução dos gastalhos
2. Montagem da fôrma

1. Eixos e gastalhos
Inicialmente, os eixos coordenados devem ser transferidos para a laje em execução, tomando os cuidados necessários para que fiquem precisos. Esse lançamento deve ser feito, preferencialmente, através de aparelhos - teodolito e trena, por equipe treinada, ou mesmo por topógrafo da empresa ou terceirizado. Deve-se também transferir o nível de referência para a laje em execução.

Após a marcação dos eixos coordenados, esticam-se linhas de náilon para sua visualização e procede-se então à execução dos gastalhos. Nesta fase, a laje deve estar livre e devemos evitar o trânsito de pessoas não envolvidas na tarefa.
Utilizando sempre trenas metálicas ou de PVC, lançam-se as distâncias entre os eixos e os gastalhos, sempre em duas direções. O gastalho deve ser bem fixado, solidarizado com a laje. Pode-se trabalhar com gastalhos não nivelados (mais usual), nivelados ou com pescoços de concreto.

A escolha do tipo de gastalho a ser utilizado está ligada às características do projeto de fôrmas e ao planejamento executivo da estrutura. Apicoe a superfície de concreto na base dos pilares, removendo a nata de cimento vitrificada que fica após a concretagem.

2. Montagem das fôrmas de pilares
Fixe dois pontaletes-guia bitolados nas extremidades de um mesmo lado do gastalho, aprumando-os e travando-os com sarrafos nas duas direções do pilar. Marque nos pontaletes-guia o nível a que deve chegar a extremidade superior de cada painel do pilar, para conferência durante o processo de montagem.

Passe desmoldante nas faces internas da fôrma e posicione os painéis nos pontaletes-guia.

Coloque os demais montantes verticais terminando a montagem de uma das faces da fôrma. Monte os painéis menores (de fundo), pregando-os na primeira lateral de fôrma já montada. Quando o projeto prevê a utilização de painéis únicos, em que, para cada face da fôrma, a estruturação e a folha compensada formam uma peça única, a montagem se dá com o simples posicionamento do painel sobre o gastalho, e o prumo será feito após a montagem completa da fôrma.
Posicione a armação, não esquecendo os espaçadores. Coloque as galgas e distanciadores, que impedirão o estrangulamento da seção do pilar. Os distanciadores também têm a função de proteger e guiar a passagem dos travamentos da fôrma. Após a montagem dos distanciadores, fecha-se a última face da fôrma, travando todas as laterais.

O travamento pode ser feito com tensores e castanhas ou porcas e barras de ancoragem. Esta última opção é mais prática e segura e possui a vantagem de ter regulagem fina para ajuste. Nas bordas da fôrma, podemos utilizar sargentos de aço CA 50 com diâmetros a partir de 10 mm, de acordo com a largura do pilar, encunhados por pares de cunhas de madeira. Porém, aqui também é mais interessante a utilização dos próprios sanduíches de madeira, necessários à estruturação do painel, travados com barras e porcas de ancoragem. Tais detalhes devem ser previstos no projeto de fôrmas.

Após o fechamento da fôrma, procede-se ao ajuste do escoramento do conjunto. As faces montadas devem ser niveladas, verificando a necessidade de colocar mosquito na abertura da base do pilar. Verifica-se o prumo dos painéis em todas as faces, utilizando aparelhos (teodolito) ou um simples prumo de face. Se necessário, ajustamos as escoras (metálicas ou de madeira), levando o conjunto para a posição correta. Após a montagem das fôrmas de pilares, devemos proceder à inspeção de qualidade e controle dimensional, e, posteriormente, executar a montagem das fôrmas de vigas e lajes.

Vigas e lajes
Após a execução dos pilares procedemos à montagem das vigas e lajes. O início do trabalho ocorre com a montagem dos fundos de vigas. Para tal, lançam-se os painéis a partir das cabeças dos pilares, apoiando-os diretamente em alguns garfos do vão. O fundo da viga deve ser pregado na lateral das cabeças dos pilares e nos garfos, de forma que resulte a espessura do painel lateral da viga de um lado, e esta espessura acrescida de um espaço para o encunhamento do outro.

Pelo menos em um dos lados do fundo deve ser colocado um mosquito, para facilitar a posterior desforma. O encaixe dos fundos de vigas entre os pilares deve ser preciso e perfeito. Ajustadas as imperfeições, posicionam-se todos os garfos (ou escoras, ou torres metálicas), tomando o cuidado com espaçamento, prumo e alinhamento entre eles. Nivela-se o fundo da viga com cunhas de madeira aplicadas na base dos garfos e os travamos, ponteando um sarrafo.

O procedimento para nivelar o fundo das vigas quando utilizamos escoramento metálico é mais fácil e preciso; tais equipamentos possuem uma rosca que permite o ajuste milimétrico da altura. Neste caso, a definição do tipo de escoramento deve ser feita com critério, levando-se em consideração todas as variáveis.

A seguir, lance os painéis laterais, encostando-os na borda do painel de fundo. Pregue sarrafos-guia na lateral dos garfos a uma distância igual à altura da longarina, medida a partir do fundo do assoalho. Estas peças servirão de apoio para as longarinas da fôrma de laje. Posicione as escoras de madeira (ou metálicas, ou torres) conforme solicitação de projeto, obedecendo espaçamento, prumo e alinhamento entre elas.

Lance, então, os barroteamentos principal e secundário seguindo o detalhamento de projeto. Sobre eles, lance o assoalho da laje do andar superior. Pregue as chapas compensadas nos sarrafos laterais das fôrmas de viga e nas transversinas (barrote secundário). Nivele os panos de lajes e verifique a contraflecha, quando o projeto solicitar. O nivelamento é feito ajustando-se a altura das escoras de apoio da fôrma por meio de cunhas. Quando utilizamos escoras metálicas ou torres, o ajuste é feito rosqueando a flange das peças.

A melhor opção para a realização do nivelamento é a utilização de um aparelho de nível a laser na parte inferior da fôrma, onde podemos checar o nivelamento do cimbramento e fôrmas. Posteriormente, podemos posicionar o nível a laser na parte superior da fôrma para nivelar as taliscas ou mestras de concretagem e checar novamente o nivelamento do assoalho.

A partir de então, inicie o trabalho de ajustes e travamentos. Trave as laterais das vigas com cunhas duplas pressionadas contra um dos dentes dos garfos. Tratando-se de vigas de bordas, é necessário travar os garfos com mãos- francesas ou tirantes. Quando forem vigas isoladas, é preciso assegurar a sua largura pregando sarrafos de travamento unindo as bordas superiores. Fixe na fôrma de laje os gabaritos de furação elétrica e hidráulica. Passe desmoldante em toda a superfície do assoalho e libere a fôrma para as checagens e o lançamento da armação.


Liberação dos serviços

Após a execução da montagem das fôrmas, antes de liberarmos a frente de serviço para as etapas seguintes, é importante procedermos a uma inspeção final, checando alguns tópicos desta fase do trabalho e, com isso, garantir a qualidade do produto. Esta checagem pode ser feita pelo engenheiro, mestre ou mesmo pelo encarregado de carpintaria.

Pilares
Os principais pontos a serem conferidos quando a montagem do pilar está pronta são:
• Verificar se o desmoldante foi aplicado nas fôrmas.
• Checar o posicionamento das galgas e dos espaçadores e se o espaçamento entre tensores ou barras de ancoragem atendem ao projeto.
• Conferir o prumo das fôrmas dos pilares utilizando um prumo de face.
• Checar a altura do topo de cada painel.
• Verificar o travamento dos painéis, conferindo a imobilidade do conjunto escoras, barras de ancoragens (ou tensores, ou sargentos) e gastalhos.
• Checar todos os encaixes das fôrmas para que não haja folgas.
• Verificar a estruturação e vedação dos painéis.

Lajes e vigas
Para procedermos às verificações necessárias, deveremos transferir os eixos coordenados da obra, da laje inferior concretada, para a laje recém-montada. Estique linhas de náilon entre estes pontos, demarcando assim os eixos. Os principais pontos a serem conferidos são:

Fôrmas de vigas:
• Verificar se o desmoldante foi aplicado nas fôrmas.
• Verificar a locação das fôrmas dos pilares no nível da laje assoalhada (boca do pilar), corrigindo quando descobertos erros maiores que 2 mm.
• Certificar-se do perfeito encaixe das fôrmas no encontro entre vigas e pilares.
• Conferir o alinhamento dos painéis laterais de vigas, na região entre pilares, ou em toda a sua extensão - no caso de vigas periféricas.
• Checar a seção de todas as vigas, corrigindo os erros maiores que 2 mm.
• Verificar o nivelamento dos fundos de vigas, utilizando preferencialmente nível a laser.
• Checar a estruturação dos painéis de vigas.
• Conferir o travamento dos painéis, verificando a imobilidade do conjunto.
• Verificar a vedação dos painéis.

Fôrmas de lajes:
• Verificar se o desmoldante foi aplicado nas fôrmas.
• Checar o nivelamento do assoalho com um aparelho de nível a laser, pela parte inferior da fôrma.
• Conferir as contraflechas, quando solicitado em projeto.
• Certificar-se do perfeito encaixe dos compensados, conferindo se estão pregados às longarinas e se não há folgas.
• Verificar a vedação do assoalho.
• Checar a locação de furos e shafts.
• Verificar o posicionamento de rebaixos - quando especificados em projeto.


 

Desforma

A desforma de um pavimento é uma etapa muito importante no processo de execução da estrutura. A realização desta tarefa com critérios, preocupando-se com a qualidade dos painéis, pode determinar a vida útil das fôrmas. O que se observa em alguns canteiros de obras é um certo descaso na execução desta fase construtiva, em que não são realizados os procedimentos corretos e, muitas vezes, os prazos necessários para reescoramento não são obedecidos.

Pilares
A desforma começa pelos painéis de pilares, normalmente nos dias subsequentes à concretagem de vigas e lajes. Solte o travamento dos pilares - tensores, sargentos ou barras de ancoragem. Retire os painéis, manuseando com cuidado para não danificar as fôrmas, desprendendo-os com ferramentas apropriadas ou por intermédio de cunhas de madeira. Painéis de dimensões maiores e principalmente pilares de canto podem ser preservados, amarrando-os com cordas para evitar eventuais choques ou quedas. As chupetas plásticas e as mangueiras devem ser retiradas e reaproveitadas posteriormente.

Vigas e Lajes
Posicione as reescoras das vigas, retire os sarrafos-guia e remova as cunhas laterais e da base dos garfos, liberando os painéis laterais de vigas. O desprendimento desta fôrma não deve ser feito com pé-de-cabra, para não danificar os painéis. O procedimento correto é a utilização de cunhas de madeira, batendo em vários lugares entre o compensado e o concreto, forçando a descolagem destes. Também devemos tomar precauções para evitar a queda do painel diretamente no chão, o que pode danificar as bordas. Os funcionários devem trabalhar sobre andaimes, segurando as fôrmas tão logo elas se soltem e apoiando-as sobre o mesmo. Além disto, estando eles mais próximos das fôrmas, podem retirar todos os mosquitos remanescentes, evitando o retrabalho posterior quando da liberação para as próximas etapas (alvenaria e revestimento). Para proceder à desforma das lajes, posicione o reescoramento nas tiras de sacrifício do assoalho e retire as escoras, longarinas e transversinas.

A desforma dos compensados deve ser iniciada pela peça munida de uma alça, evitando-se o uso de pé-de-cabra. Para evitar estragos nas peças da fôrma, podemos utilizar uma rede, cordas ou cavaletes de apoio sob a laje, de maneira a amortecer os impactos. Limpe os painéis, escoras, longarinas e transversinas e organize as peças em carrinhos, facilitando assim o transporte e deixando-as prontas para o próximo ciclo de trabalho.