Parede de Concreto

Fôrmas

Características e requisitos básicos

As fôrmas são estruturas provisórias, cujo objetivo é moldar o concreto fresco. Devem resistir a todas as pressões do lançamento do concreto até que este adquira resistência suficiente para a desforma. Exige-se das fôrmas que sejam estanques e mantenham rigorosamente a geometria das peças que estão sendo moldadas.

Os tipos de fôrmas mais utilizados no Sistema Parede de Concreto são:

Fôrmas metálicas
São fôrmas que utilizam quadros e chapas metálicas tanto para estruturação de seus painéis como para dar acabamento à peça concretada.

Fôrmas metálicas + compensado
São compostas por quadros em peças metálicas (aço ou alumínio) e utilizam chapas de madeira compensada ou material sintético para dar o acabamento na peça concretada.

Fôrmas plásticas:
Utilizam quadros e chapas feitos em plástico reciclável, tanto para estruturação de seus painéis como para dar acabamento à peça concretada, sendo contraventados por estruturas metálicas.

Para edifícios de múltiplos pavimentos, pode-se utilizar fôrmas trepantes. Nesta modalidade a produtividade da mão de obra é alta, pois as fôrmas, estruturadas com painéis de grandes dimensões e andaimes de serviço, já são transportadas de uma só vez, diminuindo etapas de montagem. Com isso, o transporte vertical do conjunto exige necessidade de grua no canteiro.

A escolha da tipologia adequada, o desenvolvimento e o detalhamento do projeto de fôrmas são de extrema importância para a viabilidade do sistema Parede de Concreto e a garantia da qualidade do produto final. O projeto de fôrma deve abordar:

  • Detalhamento e posicionamento dos painéis
  • Detalhamento dos equipamentos auxiliares
  • Detalhamento de peças de travamento e aprumo
  • Detalhamento do escoramento (inclusive escoramento residual permanente)
  • Sequência executiva de montagem e desmontagem

Para auxiliá-lo na especificação correta da fôrma a ser utilizada em sua obra, consulte: 

Fôrmas - Modelo de Decisão (xls)
Fôrmas - Tutorial Modelo Decisão (pdf)

 

Recebimento e manuseio

Todo conjunto de fôrmas deve vir acompanhado de seu projeto, que é indispensável para o início dos serviços, pois apresenta o posicionamento de cada painel e detalhes da montagem. O responsável pela obra deve proceder a uma rigorosa análise crítica do projeto, para eliminação de quaisquer dúvidas ou discordâncias.

Ao receber as fôrmas no canteiro deve-se checar no romaneio se todos os painéis e peças que compõem o sistema foram recebidos. Deve-se também tomar providências para que todo o material seja armazenado em local adequado até sua utilização, protegendo de intempéries ou exposição a produtos químicos ou agentes agressivos.

 

Montagem

A montagem das fôrmas deve seguir a sequência executiva do projeto de fôrmas, que pode variar de acordo com a sua tipologia. A sequência padrão é:

Nivelamento da laje de piso da fundação ou piso inferior
É importante que o piso da laje de apoio esteja perfeitamente nivelado, a fim de evitar diferenças de níveis de topo entre painéis, o que acarretaria descontinuidade no alinhamento superior das paredes.

Marcação das linhas de paredes nas fundações
Antes de iniciar a montagem dos painéis de fôrmas, é necessário marcar no piso de apoio (fundação ou laje) as linhas das faces internas e externas das paredes, de modo a orientar o posicionamento dos painéis.



Montagem das armaduras
Montagem da rede hidráulica
Montagem da rede elétrica


Início do posicionamento dos painéis de fôrmas de paredes
O projeto deve fornecer informações sobre a sequência executiva da montagem dos painéis. Normalmente, inicia-se a montagem dos painéis pela parede hidráulica (banheiro ou cozinha), colocando-se primeiro os painéis de canto, formando um “L”, e depois os painéis da face interna da parede hidráulica. Esta escolha é importante, pois permite posicionar as tubulações exatamente no centro da parede.

Há duas maneiras para a montagem dos painéis:

  • Painéis internos primeiro e depois os externos: neste caso, montamos de um dos lados das fôrmas, procedemos a montagem das armaduras, reforços, instalações elétricas, hidráulicas e esquadrias, e finalmente fechamos a fôrma com a montagem do outro lado dos painéis.
  • Painéis internos e externos juntos (montagem pareada): nesta situação, todas as armaduras, reforços e instalações são montadas primeiro e posteriormente se executa a montagem das esquadrias e dos painéis de fôrmas internos e externos simultaneamente.

É importante que os painéis estejam todos numerados e indicados no projeto executivo, e que cada número esteja reproduzido no corpo do painel correspondente, para melhor identificação nas etapas de desmontagem e remontagem. O posicionamento de cada painel é rigoroso e deve ser mantido em todas as unidades construídas.

  • Colocação de portas e janelas (caixilhos)
  • Colocação dos grampos de fixação entre painéis

Os painéis devem ser montados em sequência, de ambos os lados, e conectados com o uso de grampos ou pinos. A montagem deve obedecer à distribuição indicada na planta executiva.

Posicionamento das escoras prumadoras
O uso de escoras prumadoras auxilia a montagem, pois mantém os painéis em pé, e posteriormente permite o ajuste milimétrico do prumo das paredes.

Colocação das ancoragens
Os elementos de fixação da montagem final, também chamados “elementos de costura”, pois formam as linhas de costura dos painéis, são os responsáveis pela absorção das pressões que o concreto, ainda no estado plástico, deverá exercer sobre as fôrmas.

Fechamento das fôrmas de paredes
O projeto de fôrmas deve prever que os painéis sejam modulados com dimensões e peso que permitam o fácil manuseio e transporte por um operário. Os diversos módulos e acessórios devem se encaixar de acordo com a seqüência determinada em projeto, garantindo rigidez ao conjunto.

Desforma
A desforma deve ser feita quando o concreto atingir a resistência e a elasticidade prevista no projeto. A retirada das fôrmas e do escoramento deve ser feita sem choques, evitando assim o aparecimento de fissuras por ações mecânicas.

Após a desmontagem, os painéis devem ser posicionados no chão, ao lado da fundação da próxima habitação a ser executada, e passar por uma limpeza completa, que consiste na remoção da película de argamassa (cimento + água + areia) que impregna a superfície do painel, fortemente aderida ao revestimento. A película forma uma crosta indesejável na superfície do painel. Esse trabalho de remoção deve ser cuidadoso, de modo a garantir a vida útil das fôrmas.

Uma das opções de limpeza é utilizar jatos fortes de água, porém é preciso que a pressão da água seja regulada, para não danificar o acabamento das fôrmas. Outra opção, mais demorada em termos de operação, é a remoção desta crosta com água e escova ou espátula plástica.

Após a limpeza, deve-se aplicar o agente desmoldante. Como o sistema Parede de Concreto admite o uso de fôrmas metálicas ou plásticas, além das convencionais de madeira, uma atenção especial deve ser dada ao desmoldante escolhido. O produto precisa ser adequado a cada superfície, evitando-se que o concreto grude na fôrma e deixe resíduos na superfície das paredes, o que comprometeria a aderência do revestimento final.

O processo deve permitir que, após a desforma, as paredes contenham, embutidos em seu interior, todos os elementos (caixilhos de portas e janelas, tubulações elétricas e hidráulicas, fixação de cobertura ou outros, como, por exemplo, ganchos para rede).