Parede de Concreto

Concreto

Características e requisitos básicos

A concretagem e todas as ações precedentes são fundamentais para que estrutura executada corresponda ao projeto estrutural, garantindo assim a durabilidade e a qualidade desejadas. Uma das produções mais eficientes ocorre a partir de concretos dosados em centrais e fornecidos ao canteiro em caminhões betoneira, incorrendo-se sempre em melhores controles de: qualidade de agregados, medidas em peso, precisão de volumes, garantia da concreteira quanto ao desempenho do concreto recebido etc.

Recebimento

• Transporte
O uso de caminhões betoneira é o mais indicado, com o carregamento dos materiais para a produção do concreto dosado em uma central. Um aspecto muito importante é o tempo de transporte decorrido entre o início da mistura, contado a partir da primeira adição de água, até a entrega do concreto na obra. Esse tempo deve ser fixado de modo que o fim do adensamento não ocorra após o início de pega do concreto lançado e das camadas ou partes contíguas a essa remessa, evitando-se a formação de junta fria.

O tempo decorrido entre o início da mistura e a entrega do concreto no canteiro deve ser inferior a 90 minutos; e o tempo decorrido entre o início da mistura na central de produção e o final da descarga do concreto na obra não deve ultrapassar 150 minutos. No caso de concreto auto-adensável (Tipo N), este deve ser aplicado, no máximo, 40 minutos após a colocação do aditivo, o que geralmente é feito na obra. Já o concreto celular (Tipo L1) deve ser lançado na fôrma em até 30 minutos após concluído o processo de mistura da espuma.

• Dados
Antes de iniciar a descarga do concreto, confira o documento de entrega, certificando-se de que a descrição do material corresponde ao que foi solicitado e se os dados da obra estão corretos. Confira o lacre da bica de descarga antes deste ser rompido e não receba o concreto se houver alguma discordância.

Para alguns tipos de concreto a mistura é completada no local da obra: a incorporação da espuma (concreto celular – Tipo L1), do agente incorporador de ar (concreto com alto teor de ar incorporado – Tipo M) ou aditivos superplastificantes (concreto convencional ou auto-adensável – Tipo N). Estas adições devem ser conferidas com as especificações de projeto e da nota fiscal.

• Trabalhabilidade
Verifique se o concreto está com a consistência desejada e se não ultrapassou o abatimento (slump) ou o espalhamento (flow) limite especificado no documento de entrega. Caso o abatimento seja inferior ao indicado na nota fiscal, adicione água suplementar nos limites especificados pela ABNT NBR 7212/1984, ou seja, desde que:
a) O abatimento seja igual ou superior a 10 mm.
b) O abatimento seja corrigido em até 25 mm.
c) O abatimento, após a adição, não ultrapasse o limite máximo especificado.
d) O tempo entre a primeira adição de água aos materiais e o início da descarga seja superior a 15 minutos.

Para o concreto celular, a adição da espuma normalmente é feita no canteiro, antes da descarga do material. Para isso, é necessário seguir os seguintes passos:
1. Coleta do concreto para medição de densidade e slump.
2. Medição da massa específica do concreto.
3. Verificação do slump do concreto (50 mm ≤ slump ≤ 60 mm).
4. Adição do aditivo superfluidificante (no caminhão).
5. Adição das fibras de polipropileno (quando especificado).
6. Adição de espuma (no caminhão).
7. Medição da densidade: é imprescindível a aferição da densidade do concreto celular por meio do uso de recipientes com volume conhecido e balança eletrônica. O concreto celular está liberado para seu lançamento nas fôrmas quando atingir a densidade especificada (1.500 kgf/m3, +/- 200 kgf/m3).
8. Medição da fluidez, a fim de preencher todos os vazios das fôrmas - o slump mínimo recomendado é de 230 mm.
9. Concreto liberado para o lançamento.

Aplicação

• Lançamento
A atividade de aplicação do concreto nas fôrmas deve ser precedida de um planejamento detalhado. Estude e elabore um plano de concretagem levando em consideração as características do concreto que será utilizado, a geometria das fôrmas, o layout do canteiro e o plano de ataque do empreendimento.


Lançamento de concreto com bomba

Quando estivermos trabalhando com os concretos celular ou auto-adensável, devemos considerar a alta fluidez do material, que preenche os vazios das fôrmas à semelhança de um líquido enchendo um recipiente. Em outras palavras, o concreto leve adota a forma do vaso que o contém, dentro dos princípios clássicos da mecânica dos fluídos. O lançamento desses concretos obedece a um critério de escolha de pontos, de modo que a massa fluída possa caminhar homogeneamente pelas fôrmas e preencher todos os vazios sem quaisquer dificuldades.

O lançamento deve ser iniciado por um dos cantos da edificação, até que uma significativa parcela das paredes próximas ao ponto esteja totalmente cheia. Em seguida, muda-se a posição em direção ao canto oposto, até que se complete o rodízio dos quatro cantos opostos da estrutura. Finaliza-se a concretagem com o lançamento na linha mais elevada das fôrmas e dos oitões, para o caso de habitações térreas.

O concreto deve ser lançado o mais próximo possível de sua posição final, evitando-se incrustações de argamassa nas paredes das fôrmas e nas armaduras. Além disso, em função da velocidade da aplicação no canteiro, a utilização de bomba para lançamento do concreto elimina a perda da trabalhabilidade do material e diminui o aparecimento de falhas de concretagem.

Devem ser tomadas precauções para manter a homogeneidade do concreto. Para peças estreitas e altas, o concreto deve ser lançado por janelas abertas na parte lateral, ou por meio de funis ou trombas.

Durante a concretagem das paredes não são admitidas interrupções com duração superior a 30 minutos. Caso seja ultrapassado esse tempo, fica caracterizada uma junta de concretagem. O lançamento de nova camada de concreto após o início de pega do concreto lançado deverá seguir as recomendações definidas para Juntas de Construção.

• Adensamento
Durante e imediatamente após o lançamento, o concreto deve ser vibrado com equipamento adequado para a trabalhabilidade. O adensamento deve ser cuidadoso, para que a mistura preencha todos os espaços da fôrma. Nessa operação, tome as precauções necessárias para impedir a formação de ninhos ou segregação dos materiais.

O enchimento da fôrma deve ser realizado sem a ocorrência de falhas por ar aprisionado; para tal, é necessário prever furos nas fôrmas (com cerca de ¾” de diâmetro) nas regiões logo abaixo das janelas ou outros locais propícios à formação de vazios. Deve-se também acompanhar o enchimento das fôrmas por meio de leves batidas com martelo de borracha nos painéis.

É importante evitar a vibração da armadura, para que não se formem vazios ao seu redor, com prejuízos da aderência. No adensamento manual, as camadas de concreto não devem exceder a 20 cm. Se a opção for usar vibradores de imersão, a espessura da camada deve ser, no máximo, aproximadamente igual a 3/4 do comprimento da agulha. Se não for possível atender a essa exigência, o vibrador de imersão não deverá ser empregado.

Em função das características do sistema Parede de Concreto, onde as fôrmas das paredes são estreitas e altas, é muito importante ter um sistema de adensamento eficiente. Estude a possibilidade de usar os concretos auto-adensável (Tipo N) ou celular (Tipo L1). Devido a sua grande fluidez e plasticidade, elimina-se a necessidade de vibração e a alta viscosidade evita a segregação dos materiais.

Cura

Enquanto não atingir o endurecimento satisfatório, o concreto deve ser protegido contra agentes que lhe são prejudiciais: mudanças bruscas de temperatura, secagem, vento, chuva forte, água torrencial, agentes químicos, choques e vibrações de intensidade que possam produzir fissuração na massa do concreto ou afetar sua aderência à armadura. A norma brasileira ABNT NBR 12645 especifica que a cura do concreto deve ser executada sempre e que seu início deve ocorrer logo após a desforma, evitando-se assim a secagem prematura do concreto. Quanto mais cedo for feita a cura, menor a possibilidade de surgirem fissuras superficiais, principalmente em lajes.

Existem dois métodos principais de cura: cura por molhagem e cura por membrana (películas impermeáveis/agentes de cura).

O primeiro método consiste em umedecer o concreto com água. Para isso é necessário que a superfície do concreto esteja continuamente em contato com água durante um período de tempo estabelecido (mínimo de três dias – molhando a parede pelo menos 5 vezes ao dia). Essas condições podem ser conseguidas por espalhamento contínuo, com mangueira, por exemplo, iniciando-se o processo tão logo a superfície do concreto não seja mais danificada pela ação (contato) da água. Ou então se deve cobrir a parede com sacos de aniagem que serão periodicamente umedecidos, renovando-se o teor de água em contato com a parede.

A utilização de membranas impermeáveis, também chamadas de agentes de cura, é a segunda alternativa. Consiste no processo de passar uma fina camada de produto químico com características impermeáveis, evitando que o concreto perca a água de hidratação. O principal inconveniente desse processo é a necessidade de remoção dessa película, por meio de escovação ou lavagem das paredes com água quente, para garantir a aderência do revestimento final (textura, massa corrida etc.).

O endurecimento do concreto pode ser antecipado por meio de tratamento térmico (cura térmica) adequado e devidamente controlado, o que não dispensa as medidas de proteção contra a secagem.

Controle tecnológico

O controle tecnológico do concreto se dá em dois momentos: no ato do recebimento do material na obra e na sua aceitação.

• Controle de recebimento do concreto
Esse controle é feito com o concreto em estado “fresco”, assim que o caminhão betoneira chega à obra, e segue a norma de amostragem de concreto fresco ABNT NBR NM 33. Os ensaios necessários nesta etapa são:

  • Slump: realizado antes de descarregar o caminhão betoneira e antes de adicionar o aditivo superplastificante (quando for usado), segundo a ABNT NBR NM 67.
  • Slump Flow ou Espalhamento: realizado depois da medição do Slump, depois de adicionar o superplastificante e antes de descarregar o caminhão na bomba de concreto. Ensaio feito pelo método ASTM C 1611.
  • Massa específica do concreto: de acordo com a ABNT NBR 9833 (para os tipos L1, L2 e M).
  • Teor de ar incorporado ao concreto: de acordo com a ABNT NBR 9833 (para os tipos L1 e M).
  • Moldagem de corpos-de-prova: no terço médio do volume transportado por um caminhão betoneira devemos colher um volume de concreto para moldar corpos-de-prova cilíndricos, conforme prescreve a norma ABNT NBR 5738.


Slump Teste


Slump Flow ou Espalhamento



Massa específica

Teor de Ar Incorporado (foto 20d) Moldagem de Corpo de Prova (foto 20e)

• Controle de aceitação do concreto
Trata-se do controle feito por ensaios quando o concreto está endurecido e aplicado à estrutura. São eles:

  • Transporte, desforma, cura e rompimento dos corpos-de-prova seguindo a ABNT NBR 5739.
  • Cálculo da resistência característica do concreto, considerando a divisão da estrutura em lotes, conforme a ABNT NBR 12655.
  • Ensaios complementares de caracterização, tais como:
  1. Determinação do módulo de elasticidade tangente inicial na idade de controle e com a carga determinada pelo projetista, segundo a ABNT NBR 8522.
  2. Coeficiente de retração na idade de controle - ASTM C 157.
  3. Resistência à tração (compressão diametral) - ABNT NBR 7222.