Alvenaria Estrutural

Projeto estrutural

Algumas recomendações gerais, referentes à estrutura, podem facilitar a tomada de decisão em relação ao empreendimento. Elas valem para todos os projetos (não somente o estrutural) e também para a execução da obra. São elas:

  • Não combinar em um mesmo pavimento pilares e paredes de concreto com paredes de alvenaria estrutural, inclusive em pavimentos de transição.
  • Devido ao efeito arco, estruturas de transição em edifícios de alvenaria estrutural não são tão onerosas quanto estruturas de transição em edifícios de concreto, com viabilização comprovada de edifícios de vários andares com pavimentos inferiores (subsolo, pilotis, mezanino etc.) em concreto e pavimentos superiores em alvenaria estrutural.
  • É falsa a crença de que em edifícios com estrutura de transição há uma liberdade total para a locação dos pilares dessas estruturas, facilitando, sobretudo, a disposição de vagas de garagem. Na realidade, essa liberdade é limitada pela necessidade, entre outras, de dispor-se um pilar em praticamente cada encontro de paredes estruturais dos pavimentos superiores.
  • Também por causa do efeito arco, a fundação em viga baldrame apoiada em estacas não é tão onerosa quanto se possa esperar, à primeira vista.
  • Como regra geral, deve-se prover juntas de controle em edifícios com dimensão em planta superior a 20 m e juntas de dilatação em edifícios com mais de 30 m.
  • Deve-se detalhar armaduras construtivas em encontros de paredes, extremidades de paredes, bordas de porta, janela e vãos, e poços de elevador.

Atenção: não utilizar estribos horizontais nos encontros de paredes.

  •  Verificar (no sentido do cálculo estrutural) vergas e contra-vergas.
  • Detalhar o comprimento mínimo de um bloco para apoio de vergas e contra-vergas; verificar a extensão de apoio necessária em casos especiais.
  • Detalhar cintas intermediárias, ao nível da contra-verga, nas paredes externas, com comprimento igual ou superior a 6 m.
  • Atentar para o efeito arco em paredes sobre apoios discretos (vigas baldrame ou vigas em estruturas de transição).

 

Lajes

Além da laje maciça, recomenda-se o uso de lajes nervuradas que promovam uma aderência adequada entre o concreto pré-fabricado e o concreto moldado no local, o intertravamento transversal entre nervuras e, para edifícios sensíveis à ação do vento, o comportamento de diafragma rígido. Como ilustração, destaca-se que a tradicional laje volterrana não atende a esses requisitos e que a moderna laje alveolar pode exigir providências específicas para comportar-se como diafragma rígido. Recomenda-se, de modo enfático, a laje nervurada treliçada, se possível, bidirecional, para uma distribuição de carga mais uniforme nas paredes.

  • “Soltar” (junta horizontal) e limitar as dimensões dos painéis (junta vertical) da laje de coberta, como forma de minimizar a transmissão dos efeitos de suas deformações volumétricas para a alvenaria estrutural.
  • Limitar a rotação de elementos que se apoiam na alvenaria estrutural, particularmente, lajes.

 

Fundação

Em princípio, a fundação em radier de concreto (em geral, não protendido, salvo em casos especiais de solos muito desfavoráveis, p.e. solo colapsível) é a fundação direta mais adequada para a alvenaria estrutural. Como regra geral, a fundação direta em sapata corrida pode ser usada para pressões admissíveis do solo não inferiores a 100kPa e vãos entre paredes estruturais não superiores a 5 m.

  • Ter-se em mente que um edifício em alvenaria estrutural é mais rígido que um edifício em concreto armado, implicando em uma menor sensibilidade à ação do vento, e, em contrapartida, uma maior sensibilidade a deformações impostas (recalques diferenciais, por exemplo).
  • Recomenda-se a verificação de recalques para fundações diretas, particularmente em sapatas corridas, ou estrutura de transição sobre fundação direta.