Alvenaria Estrutural

Controle

Controle da qualidade

Uma obra em alvenaria estrutural possui menos etapas construtivas do que uma obra em concreto armado, principalmente pelo fato de ser um processo construtivo mais industrializado. Com menos etapas e fases construtivas, podemos nos ater mais aos detalhes de controle da qualidade e produção, fazendo com que a edificação tenha parâmetros de qualidade e desempenho superior.

Materiais

Para garantir a qualidade na aquisição e recebimento de materiais, deve-se considerar a integração dos departamentos de projeto, compras e produção nas etapas de especificação de produtos, seleção e avaliação de fornecedores, recebimento, armazenamento e transporte de materiais.

As especificações técnicas para a compra do produto devem ser claras, com requisitos bem definidos e documentados, garantindo que o pessoal de compras tenha uma comunicação eficiente com os fornecedores.

O material já adquirido e entregue na obra deve, obrigatoriamente, passar pelo controle de recebimento, que fará os registros da conformidade do produto. Esses registros somados às observações levantadas pelo pessoal da obra fornecerão subsídios para a melhoria contínua de todas as etapas.

Uma pessoa deve ser designada para a inspeção e recebimento dos materiais, sendo esta responsável pela verificação do cumprimento das especificações descritas no pedido de compra.

Blocos de concreto

No recebimento dos blocos, devem ser separadas amostras aleatórias, devidamente identificadas com a data da coleta e o lote, para que sejam ensaiadas em laboratório. Deve-se verificar, ainda, se consta na nota fiscal (NF) a resistência à compressão prevista e a data de fabricação dos lotes.

Características que devem ser observadas nos blocos na hora de sua entrega na obra:

  • Aparência: os blocos devem ter arestas vivas e não apresentar trincas, fraturas ou outros defeitos, sendo proibidos quaisquer reparos que ocultem esses defeitos.
  • Absorção de água: o bloco saturado pode absorver no máximo 10% de sua massa.
  • Umidade: deve estar com menos de 40% da absorção total.
  • Retração na secagem: o bloco deve estar suficientemente curado para evitar retração.
     

Controle de aceitação

Resistência à compressão Cada lote de blocos deve ter no máximo 10 mil unidades ou ser maior que o número de blocos por pavimento-tipo, sendo constituído por pelo menos 12 blocos, sendo pelo menos um bloco de cada caminhão. Destes, 6 blocos devem ser utilizados para os ensaios e 6 devem ficar guardados como contra-prova e não poderão ser utilizados até que o lote seja liberado pelo controle tecnológico.
Características dimensionais e geométricas Todo caminhão de entrega é um lote e os ensaios devem ser feitos com pelo menos 10 blocos por lote, antes da descarga e, se recusados, devolvidos. Esse controle é feito pela construtora e formalizado em fichas de controle. Se os blocos tiverem marca de conformidade reconhecida pelo Inmetro (Selo de Qualidade da ABCP), este controle de aceitação dos blocos não precisa ser feito, sendo substituído pelo controle tecnológico de fabricação. As empresas que possuem este selo são frequentemente analisadas e têm os seus blocos em conformidade com as análises de resistência, dimensões, absorção, umidade e retração previstas pelas NBR 12118 e NBR 6136.

 

Argamassa de assentamento e graute

As argamassas de assentamento e o graute podem ser industrializados ou feitos em obra, sendo que os industrializados possuem um traço específico para utilização em alvenaria estrutural.

Seja qual for a argamassa utilizada no assentamento dos blocos, esta deve promover uma adequada aderência entre blocos e auxiliar na dissipação de tensões, evitando fissuras na interface bloco-argamassa e garantindo o desempenho estrutural e a durabilidade esperados da parede de alvenaria.

O graute de preenchimento dos vazados permite que a armadura trabalhe conjuntamente com a alvenaria, aumenta localmente a resistência à compressão da parede e impede a corrosão da armadura. A dosagem e especificação das características do graute são de responsabilidade do projeto estrutural, sendo que o graute deve ter resistência à compressão, de modo que a resistência do prisma grauteado atinja a resistência especificada pelo projetista. Devem ser realizados ensaios de resistência à compressão conforme a ABNT NBR 5739.

A argamassa de assentamento e o graute devem ser definidos previamente através de ensaios realizados com os materiais dos mesmos fornecedores selecionados para a obra, de forma que fique comprovado o atendimento aos requisitos estabelecidos no projeto estrutural.

No caso da argamassa ou graute feitos em obra, recomenda-se a verificação de selos de conformidade com as normas da ABNT e os prazos de validade. Já no recebimento de argamassas e grautes industrializados, é necessário verificar na embalagem a classe da argamassa segundo a NBR 13281, o prazo de validade e se o material está acondicionado em sacos secos e íntegros.

Os materiais devem ser armazenados em espaços cobertos, protegidos da umidade e de outros agentes nocivos, sendo descartados se estiverem úmidos. Produtos diferentes devem ser armazenados separadamente por lote e por tipo, de forma que se utilizem primeiramente os produtos mais antigos.

Para o controle da qualidade da argamassa e do graute será considerado como lote o menor dos limites:

  • 500 m2 de área construída em planta (por pavimento)
  • Dois pavimentos
  • Argamassa ou graute fabricado com matéria-prima de mesma procedência e dosagem

Argamassa e graute devem ser ensaiados conforme tabela a seguir:

Material Amostra Ensaios Aceitação
Argamassa 6 exemplares Moldagem e ensaios realizados de acordo com o Anexo D da ABNT NBR 10837- parte 2 - Coeficiente de variação inferior a 20%
- Valor médio maior ou igual ao especificado no projeto.
 
Graute 6 exemplares Moldagem dos corpos-de-prova de acordo com a ABNT NBR 5738 e ensaio realizado de acordo com a ABNT NBR 5739. Valor característico maior ou igual ao especificado no projeto


Deverão ser realizados, também, os ensaios de prismas cheios e vazios, conforme NBR 8798 e NBR 8215, sendo 6 corpos-de-prova por pavimento. A produção da argamassa e do graute deve ser realizada, obrigatoriamente, com misturador mecânico.


Armaduras

Devem atender à ABNT NBR 7480.
O armazenamento deve ser feito de forma que seja evitado o contato com o solo e a ocorrência de danos e deformações que impeçam a sua utilização.

Aditivos

Os aditivos devem obedecer às normas brasileiras ou, na falta destas, suas propriedades devem ser verificadas experimentalmente. O armazenamento deve ser realizado conforme recomendações do fabricante, sendo identificados os lotes e utilizados na ordem do recebimento.

Concreto estrutural

Para o controle de recebimento de concretos estruturais (lajes, fundações, pilares, vigas etc.), deve-se seguir os procedimentos descritos na ABNT NBR 12655.

Água

Deve atender à norma NM 137:97. Ensaios a realizar no caso de água proveniente de poços: determinação do pH, cloretos solúveis, sulfatos solúveis e resíduos sólidos. Recomenda-se a execução de uma determinação no início da obra e a cada período máximo de dois meses ou quando for notada alguma alteração.

Outros materiais

Outros materiais e componentes da edificação, como produtos elétricos, hidrossanitários, coberturas e esquadrias devem seguir as normas pertinentes a cada um deles.

Controle na execução

A execução deve seguir todas as recomendações do projeto, tais como: reforços necessários em vãos, vergas e contra-vergas, elementos de fixação e outras. O projeto deve conter também cotas e medidas acumuladas, ângulos e esquadro da construção em relação aos eixos principais para a realização da marcação. A primeira fiada deve ser detalhada de forma a absorver qualquer tipo de desnível da estrutura de apoio da alvenaria.

O desnível do pavimento deve ser de no máximo ± 10 mm em relação ao plano especificado. Durante a execução da marcação, cada bloco assentado deve ser checado quanto ao prumo, alinhamento e nivelamento. Devem ser verificadas as dimensões totais nas 2 diagonais, observando os recortes de periferia.

Antes de iniciar a elevação, é importante verificar os seguintes aspectos:
• A locação, o esquadro e o nivelamento da base devem estar de acordo com as especificações de projeto.
• Posicionamento das armaduras e instalações conforme indicado em projeto.
• O pavimento deve estar limpo e desimpedido, de forma que a aderência entre este e a argamassa não seja prejudicada.
• Os blocos e elementos pré-fabricados devem estar limpos, de modo que o assentamento e a aderência à argamassa não sejam prejudicados.

As juntas horizontais e verticais entre blocos devem ter espessura de 10 mm, com variação máxima de ± 3 mm. No caso das juntas horizontais da primeira fiada, estas devem ter espessura entre 5 mm e 20 mm, sendo admitido o máximo de 30 mm em trechos com comprimento inferior a 50 cm. Neste caso, se o valor máximo da junta for ultrapassado, deve-se realizar o nivelamento com material de resistência igual à da laje.

Durante a aplicação da argamassa, deve-se tomar o cuidado de aplicá-la em trechos pequenos, para que ela não perca suas características até o momento do assentamento do bloco. Deve-se evitar, também, que a argamassa caia nos vazados dos blocos.

As juntas horizontais devem ser executadas com cordões de argamassa nas paredes longitudinais e transversais dos blocos, a menos que o projeto especifique outra forma. O preenchimento das juntas verticais deve ser realizado mediante aplicação de dois filetes de argamassa nas paredes laterais dos blocos, cada um com espessura de no mínimo 20% da largura do bloco.

O desaprumo e o desalinhamento das paredes não podem ser maiores do que 10 mm no mesmo andar, com um limite de 2 mm por metro, como exemplificam as figuras a seguir.

Limites máximos para o desaprumo e desalinhamento das paredes
 

Limites máximos para desaprumo e desalinhamento das paredes
O desaprumo máximo do prédio não deve ultrapassar 25 mm. A diferença de locação em relação ao andar inferior não deve ultrapassar os 5 mm em relação às paredes e à borda da laje, no caso de alvenarias periféricas.


Descontinuidade máxima das paredes e pilares entre os andares

O erro máximo permitido no posicionamento das armaduras é de 1,0 cm para seções fletidas com dimensão inferior a 20 cm, no plano de flexão, e de 2,0 cm para seções comprimidas ou de dimensão superior a 20 cm.

Os furos grauteados devem ser previamente desobstruídos e a altura máxima de lançamento do graute deve ser de 1,6 m. Caso seja utilizado graute aditivado que garanta a coesão sem segregação, admite-se uma altura máxima de lançamento de 2,8 m.