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Sete anos de união

Baseada em conceitos de integração e parceria, a Comunidade da Construção confirma o sucesso de um modelo de organização colaborativa na construção civil.

Comunidade da Conbstru磯: 7 anos


Até a virada do século XX, pouca gente poderia imaginar uma união tão sólida da cadeia produtiva da construção civil como a existente hoje na Comunidade da Construção. Na época, com interesses bem distintos, construtoras, indústrias de materiais, projetistas e prestadores de serviços mantinham respeitosa distância com relação a projetos conjuntos de melhoria de sistemas e processos. Havia sim uma expectativa de melhoria na qualidade dos produtos, por conta do PBQP-H, mas as metas eram setoriais e muitos segmentos menos organizados estavam fora desse universo.

Essa situação começou a mudar em 2002, quando a Comunidade da Construção foi lançada em Belo Horizonte por iniciativa da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e adesão imediata da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) e do IBTS (Instituto Brasileiro de Telas Soldadas). O cenário era o 74º ENIC, realizado em Belo Horizonte, por alguns dias o quartel-general da indústria da construção. O projeto Comunidade da Construção levava ao evento um desafio: integrar a cadeia produtiva relacionada aos sistemas construtivos à base de cimento, a fim de melhorar seu desempenho técnico e econômico em favor dos construtores. A proposta pressupunha a melhoria de todas as etapas e agentes envolvidos em cada sistema, fossem eles projetistas, fornecedores, fabricantes ou construtores. Assim começou a história da Comunidade da Construção, um movimento setorial baseado na integração de diversos saberes.

A Comunidade da Construção atua hoje em 11 cidades (Recife, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vitória, São Paulo, Campinas, Porto Alegre, Brasília e Goiânia) e reúne construtoras que representam boa parte do mercado imobiliário brasileiro. Em sete anos, o movimento não arrefeceu seus objetivos. Continua a atuar com metas de melhoria em processos, sob um modelo que preza a busca de resultados concretos e o compartilhamento de experiências por meio de benchmarking.

Metodologia coerente
A Comunidade mantém uma média de 300 organizações envolvidas, entre empresas construtoras, universidades, associações setoriais, laboratórios, projetistas, prestadores de serviços e consultorias. Os trabalhos são desenvolvidos em ciclos que duram de 12 a 18 meses. Por meio deles, a Comunidade visita obras, sistematiza informações, capacita profissionais e operários, promove intercâmbio e atua na melhoria dos processos, além de gerar boas práticas nos diversos sistemas trabalhados. A cobertura dos custos dessa agenda intensa vem da cotização entre as organizações participantes e de patrocinadores de ações específicas. Cada iniciativa é custeada, de forma conjunta, pelos próprios interessados, o que torna o projeto auto-sustentável do ponto de vista econômico e totalmente aceito pelos agentes envolvidos.

Realizações
Ao acompanhar obras Brasil afora e propor melhorias a elas, a Comunidade da Construção já produziu, em sete anos, mais de 180 ativos. São ferramentas, estudos, manuais, práticas recomendadas e cursos que ajudam a melhorar o desempenho dos sistemas construtivos à base de cimento voltados a edificações: estruturas de concreto, revestimentos de argamassa, alvenaria estrutural e de vedação e, mais recentemente, parede de concreto. Em 2007, cerca de 150 ativos foram compilados e organizados por sistema construtivo no Catálogo de Ativos, disponível no site da Comunidade (www.comunidadedaconstrucao.com.br).

Outra diretriz importante diz respeito às normas técnicas, que têm importância vital para todo processo produtivo por oferecer as referências de qualidade e desempenho reconhecidas pelo meio técnico e aceitas pelo mercado. Sabedora disso, a Comunidade desenvolveu em 2006 o Caderno Analítico de Normas, que sintetiza e analisa as principais normas da ABNT pertinentes a 9 sistemas construtivos à base de cimento para edificações. O trabalho alerta os engenheiros que atuam em obras – nas áreas de coordenação, produção e suprimentos –, bem como arquitetos e demais projetistas, para os riscos de sua não observância. O documento, de linguagem simples e consulta rápida (também disponível no site), oferece a profissionais e fornecedores a possibilidade de estabelecer critérios objetivos para a qualidade desejada em cada um dos sistemas em questão.

A cada dois anos, parte desse acervo em constante formação é tornado público nos eventos Mostra de Resultados e Prêmio Melhores Práticas, além do Guia Melhores Práticas da Comunidade da Construção. Juntas, essas ações de divulgação buscam registrar e reconhecer o empenho dos membros da Comunidade em todo o país. Além da visibilidade, esse esforço é recompensado com “mais trabalho”. Afinal, os vencedores do Prêmio Melhores Práticas costumam receber, como recompensa, viagens ao exterior para integrar missões técnicas. Foi assim que a Comunidade, nas duas últimas edições do Prêmio (2005 e 2007), levou alguns membros para os Estados Unidos e para a Espanha, onde visitaram feiras, institutos e empresas da área.

Em 2009, a Comunidade chega à terceira edição desses eventos, realizados sempre no Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), berço do movimento, onde se procura mostrar que a integração da cadeia é o melhor caminho para evoluir e conquistar resultados. Nesta 3ª edição do Guia (2007-2009), 26 ações trabalhadas no último biênio estão em destaque, quatro delas vencedoras do Prêmio Melhores Práticas (veja quadro).

3º Prêmio Melhores Práticas (2009) - Ações vencedoras
- Implantação e monitoramento de sistema construtivo alvenaria estrutural (Recife)
- Práticas recomendadas para revestimentos argamassados (Rio de Janeiro)
- Chapisco em concreto hidrojateado (Belo Horizonte)
- Desenvolvimento de argamassa interna para substituir o gesso (Campinas)

Indicadores
Todas as ações que visam o registro e a multiplicação do conhecimento são importantes, mas não substituem as conquistas reais, que são as melhorias implementadas nas obras, o fazer melhor, com mais produtividade e economia, o estabelecimento de indicadores e a superação de metas. Nestes sete anos, a Comunidade detém números emblemáticos de sua atuação.

Em Recife, por exemplo, a Comunidade tinha o objetivo de implantar e monitorar o sistema de alvenaria de vedação com blocos de concreto na obra do edifício Aroeira, da construtora Conic Souza Filho. Ao final do trabalho, os índices colhidos superaram os melhores indicadores do Brasil. As soluções implantadas trouxeram efetiva redução de perdas:
A mediana de perdas de blocos foi de apenas 2%, enquanto em outras obras avaliadas no País a mediana é de 13%, segundo dados do coordenador do Programa Obra Monitorada no Recife, prof. Alberto Casado.
A perda de argamassa também foi reduzida (6%), se comparada à perda média apontada na literatura técnica (42%).
A capacitação (treinamento) elevou a qualidade da execução e a redução de resíduos, fato constatado com a diminuição expressiva de retrabalhos e perdas.

Além disso, diversos documentos foram criados para difundir o conhecimento obtido, entre eles um manual de diretrizes para desenvolvimento de projeto, uma cartilha para capacitação de equipes de produção e cadernos de monitoramento de perdas de blocos de concreto, argamassa de assentamento e produtividade da mão-de-obra.

No edifício Residencial Sylvio Costa (Construtora Lorenge), de Vitória, a meta era aperfeiçoar os processos de planejamento, execução e controle da estrutura. A ação atuou sobre: Compatibilização de projetos, Controle de prumo da estrutura e nivelamento das lajes, Cura do concreto, Custo real x orçado, Produtividade (melhorada em 5%), Consumo de concreto e Cobrimento de armaduras.

Assim como as duas obras citadas, existem muitas outras que exibem melhorias de processo e bons resultados alcançados graças ao trabalho integrador da Comunidade da Construção (veja quadro).

7 obras acompanhadas pela Comunidade*

Belo Horizonte
Ed. Giorgio Vasari, Arco Engenharia. Tema: Produtividade
Ações: Indicadores de desempenho, Matriz de desempenho e Controle de perdas

Goiânia
Ed. Arq. Tadeu Baptista Domingos, FR Incorporadora. Tema: Gestão de projetos e Alvenaria,
Ações: Gerenciamento eletrônico, Redução da perda em corte de barras de aço, Assentamento de blocos e Ligação entre estrutura e alvenaria

Salvador
Mansão Ville Imperial, Sarti Mendonça. Tema: Fôrmas e cimbramento
Ações: Marcação e execução racionalizada de estruturas e Estudo comparativo de sistemas de fôrmas

São Paulo
West Side, Sinco. Tema: Estrutura e revestimento de argamassa
Ações: , Modelo de decisão para escolha de argamassa, Ciclo de concretagem garantido e Procedimentos de preparo da base de revestimento de argamassa

Recife
Edificio Aroeira, Conic Souza Filho. Tema: Alvenaria de vedação com blocos de concreto
Ações: Implantação e monitoramento de sistema construtivo, Capacitação de equipes de produção, Diretrizes para projeto de produção de alvenaria de vedação

Vitória
Residencial Dr. Sylvio Costa, Construtora Lorenge. Tema: Estrutura de concreto
Ações: Projeto de melhorias da estrutura

Porto Alegre
Giardino di Firenze, EGL Engenharia. Tema: Revestimento de argamassa
Ações: Projeto de revestimento na fachada

* A Comunidade acompanhou mais de 20 obras neste período.

Atenta a inovações
No biênio 2007/2009, a Comunidade continuou a atuar na melhoria de uso de tradicionais sistemas construtivos à base de cimento, como estruturas de concreto, revestimento de argamassa, alvenaria estrutural e de vedação. Mas, além disso, buscou novas opções em sistemas construtivos.

Sob a liderança de ABCP, ABESC e IBTS, a Comunidade organizou três missões técnicas para países vizinhos, como Colômbia e Equador, a fim de conhecer e implementar no Brasil o sistema Parede de Concreto, solução técnica indicada para a produção de habitações em grande escala e com grande velocidade – como exige o atual momento da construção civil brasileira. O sucesso tem sido tão grande entre as construtoras que a Comunidade e seus parceiros lançaram a primeira Coletânea de Ativos em Paredes de Concreto e já preparam a segunda edição. O Grupo Parede de Concreto, atuante na Comunidade, também elaborou Diretrizes para o sistema e trabalha em conjunto com a Caixa para sua homologação.

Contatos com a Comunidade
Coordenação Nacional
Eng. Ary Fonseca Júnior
Av. Torres de Oliveira, 76 – Jaguaré – São Paulo
Fone: (11) 3760-5381 - ary.fonseca@abcp.org.br

Norte – Nordeste
Eng. Eduardo Augusto Barbosa de Moraes
Fone: (81) 3222-4410 / 3423-5565
eduardo.moraes@abcp.org.br

Recife
Emanuelle Pontes - emanuelle.pontes@abcp.org.br

Salvador
Ana Gabriela Saraiva de Aquino Lima - gabriela.saraiva@abcp.org.br

Fortaleza
Adriano Pessoa de Souza - adriano.pessoa@abcp.org.br

Belo Horizonte
Eng. Geraldo Lincoln Raydan
Fone: (31) 3223-0721
lincoln.raydan@abcp.org.br

Patricia Tozzini - patricia.tozzini@abcp.org.br

Rio de Janeiro
Eng. Eduardo Henrique D’Avila
Fone: (21) 2531-1990 / 2531.2729
eduardo.davila@abcp.org.br

Guilherme Andrade - guilherme.andrade@abcp.org.br

Vitória
Polian Mol Marques - polian.mol@abcp.org.br

São Paulo e Campinas
Eng. Ricardo Moschetti
Fone: (11) 3760-5374
ricardo.moschetti@abcp.org.br

Sul
Eng. Carlos Roberto Giublin
Fone: (41) 3353-7426
roberto.giublin@abcp.org.br

Porto Alegre
Fernando P. Druck - fernando.druck@abcp.org.br

Centro-Oeste
Eng. Fernando César Crosara
Fone: (61) 3327-8768 / 3328-7776
fernando.crosara@abcp.org.br

Brasília e Goiânia
Waldir Belisário - waldir.belisario@abcp.org.br


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Edição 2007 - 100 ativos
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